5ª Edição - Janeiro de 2002

CARTAS AO DIRETOR

Senti-me regozijado ao ver meu nome na galeria das personalidades de Mombaça, como se vislumbram na 3ª edição de F.M. (Folha de Mombaça). É evidente que outros filhos desta amado município também mereciam figurar naquela honrosa galeria, tomando como exemplo o DD. Professor Eldo Sá, que desde 1969, vem contribuindo como os seus elastecidos conhecimentos e com esmerado emprenho para elevar o nível de educação dos municípios. Quando ainda muito jovem, ele já demonstrava vocação pelo o magistério, bem como o compromisso com a causa da educação e do progresso dos filhos de Mombaça, ao instalar um cursinho de admissão ao ginásio, no qual fui aluno. Já no ano seguinte, este abnegado professor instalou a Livraria Progresso, na qual eram vendidos livros didáticos e técnicos, jornais, revistas de circulação nacional e de todas as espécies, propiciando a toda população mombacense a oportunidade de desenvolver o seu potencial intelectivo, além do privilégio de se manter informada, até por que, naquela época, televisão era artigo para rico. Foi no convívio com o Professor Eldo, na qualidade de emrpegado da citada livraria, que despertei decisivamente para a importância da leitura, ao observar que, enquanto tinha tempo ele estava sempre lendo e, com isso, demonstrava amplos conhecimentos sobre variados assuntos levantados pelos visitantes daquele estabelecimento, quer na qualidade de cliente ou de amigos. Ao fundar este jornal, ele demonstra mais uma vez que o seu interesse pela educação e a cultura não se restringe a uma sala de aula, muito menos ao parco salário que recebe em retribuição. É do conhecimento de todos os mombacenses que o aludido professor, acima de tudo é austero e combativo, comportando-se com altivez quando percebe qe os interesses do ensino, nos locais onde leciona, estão sendo vilipendiados. Por estas e por outras atitudes praticadas pelo o culto professor Eldo, não há a menor dúvida que ele é digno de reconhecimento e de ser considerado como uma das pessoas que mais tem feito algo para alavancar a educação e a cultura da nossa gente.

Antônio Teixeira de Sousa
Juiz de Direito de Freixerinha-CE

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CORGIL - COOPERATIVA RURAL DE GESTÃO INOVADORA LTDA. Em primeiro lugar, quero lhes agradecer pelo envio de alguns formulários do jornal Folha de Mombaça, referente ao mês de novembro de 2001. Em segundo lugar, quero lhes afirmar o nosso firme propósito de contribuir para que o referido jornal se torne um periódico regularmente editado, sendo que nossa proposta de contribuição é através de assinaturas e envio de matérias referentes às nossas Cooperativas, bem como notícias em geral sobre o município de Senador Pompeu. E fazendo jus ao que afirmo estou remetendo formulários preenchidos em meu próprio nome - Miguel - e das Cooperativas COSENA e CORGIL. Sem mais para o presente momento, aceite um caloroso abraço do amigo leitor.

Miguel Alves de Almeida
PRESIDENTE DA COOPERATIVA RURAL DE GESTÃO INOVADORA LTDA - SENADOR POMPEU-CE.

CHUVAS ANIMAM AGRICULTORES

Animados com as últimas chuvas que vêm caindo no nosso município e demais regiões, milhares de produtores rurais já fazem os trabalhos nas terras, uns já fazendo a limpeza eda área plantada, outros ainda fazendo o plantio, bem como há ainda os que preparam o solo para o cultivo. A verdade é que existe uma regularidade das precipitações pluviométricas, o que deixa prever uma safra capaz de suprir as necessidades do nosso homem do campo e perspectivas de haver mesmo um excedente de grãos para desafogar as dívidas dos últimos anos. Animador também é a quantidade de água que vem se acumulando nos pequenos, médios e grandes reservatórios. Tomemos como exemplo o açude Serafim Dias que já teve um acréscimo de mais de 1 metro linear em sua bacia hidráulica. Quem também está num estado de graça é o grupo de 220 apicultores que já arriscam previsões no sentido de que sejam colhidos nesse ano a maior safra de mel no município. Em tempo: lamentável os estragos causados pelas chuvas arrombando a recém contruída barragem de Boa Vista e provocando o desabamento do prédio localizado atrás do Planáltico Clube, o que ocasionou a destruição 02 carros (uma caçamba e um carro pipa).

COPA MOMBAÇA DE FUTEBOL

Está prevista para ser realizada em meados deste ano, a SUPER COPA MOMBAÇA DE FUTEBOL. Esta copa contará com o apoio do deputado estadual, Valdomiro Júnior-PPB, tendo como objetivo resgatar o esporte de Mombaça que andava meio esquecido e começou a ser resgatado no ano passado com a realização da copa Mombaça 150 anos, que teve como campeã a boa equipe de Boa Vista, que tinha na coordenação o Dr. Geovani. O Deputado Valdomiro Júnior, já está com uma equipe elaborando todo o orçaento da competição, inclusive a aquisição de material esortivo para as equipes participantes. O objetivo desta competição é dar mais uma opção de lazer para os jovens de Mombaça, tanto na sede, como na zona rural.
SONHO PRÓXIMO DE SER REALIZADO: Já começou a ser executada as obras do Ginásio Coberto, que será construído por traz do hospital e foi uma solicitação do deputado Valdomiro Júnior e Leo Alcântara junto ao governo do estado. Com a construção do ginásio, a juventude de Mombaça terá mais conforto para realizar suas competições.

Agnaldo Feitosa.

CRIEMOS BIBLIOTECAS

Há uma tomada de consciência generalizada com relação a qualidade da educação que é oferecida aos jovens e até mesmo a adultos que buscam recuperar o tempo perdido. Verdade que está sendo oferecida oportunidade de escolarização, mas a preocupação maior é com a qualificação. Não sabemos a quem interessa, mas a qualidade deixa muito a desejar. O que achamos estranho é que a educação nunca teve tanto dinheiro como agora. O que estaria então acontecendo? Acreditamos haver mal direcionamento das verbas destinadas a educação. Ao menos como referências o transporte escolar, onde um motorista ganha o dobro de uma professora, embora esse trabalhe menos. Para que haja qualidade é necessário melhor remuneração aos trabalhadores na educação, notadamente aos professores. Há necessidade também da instalação de laboratórios e bibliotecas, vez que havendo livros disponíveis, haverá maior incentivo a leitura, coisa que o nosso estudante não está acostumado. Vamos pois lutar por melhor e variado acervo literário, criando bibliotecas nas escolas, nos distritos e também uma grande biblioteca pública na cidade, oportunizando assim o acesso, além do estudante, ao público geral.

DONA ALCIDES - 92 ANOS

Mãe, palavra tão doce quanto o murmúrio de um rio que nos embala, como o balanço o teu colo, quando éramos crianças. Mãe, hoje aos seus 92 anos, lúcida, coerente e sábia, tuas palavras nos traz ensinamentos, amor e sabedoria, nos orienta, nos adverte. Quem dera mamãe sermos capazes de seguir tuas palavras, quem dera sermos inteligentes o bastante para discernir o bem e o mal da vida. Como você que sempre soube tirar proveito das coisas boas e arquivar aquelas que não faziam sentido. Mamãe, gostaríamos que ao longo de nossas vidas tivéssemos sempre este seu sorriso, este aperto de mão, firme e confiante, para termos forças e transmitir aos nossos filhos e netos descendentes da sua coragem e amor. Mãe de três gerações, a tua vida, acredite, é uma dádiva de Deus, a mão do Senhor paira sobre os teus semblantes com amor. E para nós mamãe, a sua existência em nossas vidas é um verdadeiro milagre divino. Em nome de todos os filhos: João, Betisa, Valdelice, Marina, Osmarina, Airton, José, Neide, Antônio, Cleide, Francisco José (Parente) e Antônio Almir, lhe agradecemos por esta maravilhosa estadia em nossos lares, trouxe-nos alegria e com certeza deixará experiências e saudades. Que Deus te abençoe sempre. Seus filhos de três gerações, noras e genros que com orgulho fazem parte do seu convívio. Feliz 92 ANOS!!!

FOLHEANDO

· Devo mais uma ao Dr. Wellington Andrade, médico competente e humano que, atendendo na emergência do Instituto Dr. José Frota, está sempre pronto a ajudar aos que necessitam dos seus cuidados;
· Meus amigos Zezinho Moreira, Agostinho e Gorete do Onofre: Vocês foram demais;
· Grato também ao Neurandir, do laboratório Arco-Íris;
· Já devia favor a muita gente, mas agora a lista aumentou bastante. Minhas amigas enfermeiras do plantão de Sexta-feira (dia 04) e ao amigo Vascau Bezerra, pelo carinho que me trataram;
· Moço da ambulância, profissional dedicado. Ogrigado;
· Reginaldo Costa e Nágila passaram o reveillon com o Raimundo e Valda e demais familiares, em Mombaça;
· Edmundo Paulino e Iracilda reuniram a família e alguns amigos no reveillon 2001;
· Parabéns ao IPEC - Instituto de Previdência do Estado do Ceará, pela qualidade dos serviços prestados;
· Já não podemos dizer o mesmo do atendimento pelo SUS no I.J.F. É preciso que sejam feitas reformas urgentes!!!
· No I.J.F., recebemos as visitas do Dr. Valdomiro T[avora de Castro e o casal Teté e Silvia Cavalcante;
· Estiveram nos visitando também, o Dr. Antônio Teixeira de Sousa, Juiz de Direito de Frecheirinha, e Antônio Aparecido Borges;
· À nova diretora da EEF Pedro Jaime e nossa grande amiga Gisete Holanda, desejamos boa gestão;
· É lamentável que muitos mombacenses, com razoáveis condições econômico-financeiras por aí a fora, não invistam aqui em Mombaça parte dos seu capital, o que poderia gerar alguns empregos, melhorando as possibilidades de ascensão de muitos jovens;
· As pessoas que lutam pelos direitos seus e dos outros, às vezes parecem 'chatas'. Daí a explicação para a brincadeira com o amigo Iran Azevedo Benevides;
· Minhas gratidões à equipe do Dr. Marcos Girão, Dr. Adriano, equipe responsável pelas cirurgias quando no meu acidente e todos os funcionários do I.J.F;
· Recebemos a visita do jovem Menesclau Júnior;
· Cercada da presença do seu marido, Elias Rodrigues, dos filhos, noras, netos e bisnetos, a senhora Francisca Sá Cavalcante comemorou no dia 24/01/02 os seus 80 anos. Parabéns;
· Os pais do Alvino Elias, Rosimar e Marta Neiva mais uma vez foram impecáveis. Em nenhum momento mim faltou dos mesmos;
· Quero parabenizar Marta Neiva pelo seu aniversário. Toda sua família e amigos te deseja muitas felicidades. Parabéns!!!
· Comandante Rui Alencar e Erandy foram imprescindíveis nas articulações para o melhor atendimento, obrigado também ao Hélio César, Claudênia e D. Nenêm;
· Obrigado ao amigo Dário Martins pela gentileza e forma como nos recebeu em Touros-RN;
· De Goiânia para os 80 anos de D. Francisca vieram: Darlan, Edilene, Darlanzinho e Taiga.

Eldo Sá

JUSTA HOMENAGEM

Achei justa a homenagem prestada pela poetisa Betinha Andrade, ao ilustre Político Paes de Andrade, creditando-lhe o mérito da obtenção de verbas e a aprovação do projeto para que o açude Serafim Dias viesse a ser construído.. Na sua belíssima poesia constante da página 07 da 4ª edição de F.M., ela cita várias pessoas que lutaram pela aprovação do plano de construção daquele importante açude que há cerca de 30 anos, fazia parte dos sonhos do povo de Mombaça. Sem nenhum demérito às pessoas citadas, muito menos ao conteúdo daquele poema, entendo que um fato relevante e que muito contribuiu para a concretitude do referido sonho deixou de ser citado, que foi um movimento encetado pela colônia mombacense em Fortaleza, liderada pelo professor Paes, tratando na intimidade por "Paizim", culminando na realização de um seminário, no qual foram apresentados inteligentes propostas para o desenvolvimento de Mombaça, tendo como reivindicação nº 1 a construção do citado açude, entregando-se, cópias da respectiva pauta de reinvidicações, diga-se de passagem, muito bem elaborada, a todas autoridades administrativas e políticas, inclusive ao próprio Deputado Paes de Andrade, que deu pronto encaminhamento ao projeto daquela preciosa obra, vindo a ter a felicidade de assumir a Presidência da República, alguns tempos depois, para, entre outros grandes feitos, aprovar a construção do açude Serafim Dias.

Antônio Teixeira de Sousa
Juiz de Direito de Freixerinha-CE

NOSSA PALAVRA

Foi com relativa facilidade que editamos a 3ª e 4ª edições de F.M. Daí entendemos que é possível a tão sonhada continuidade deste "Jornalzinho Matuto", vez que muitos leitores nos procuram, mostrando real interesse de ser assinante deste periódico. Estava indo tudo muito bem com os anunciantes, bem como estavam prontas as matérias para a edição nº 05, o que nos vinha proporcionando momentos de extrema satisfação. Até me perguntavam: Por que você está tão feliz? Ao que respondia: Pelas coisas boas que estão acontecendo. Eis que na Sexta-feira, dia 04/01/02, aconteceu o "tombo do guerreiro". Como é sabido por todos, este editor encontra-se imobilizado por fraturas múltiplas nos membros inferiores e superiores. Começaram os telefonemas: como é que fica a situação do jornal agora? Respondi a todos: Já temos o apoio dos amigos e daremos a volta por cima. A F.M. (Folha de Mombaça) estará circulando normalmente até o fim deste mês de janeiro. Aqui estamos com a graça de Deus e vamos continuar. Se não for possível continuar colorido (40% mais caro), estaremos com impressão em preto branco. O mais importante é que Mombaça e cidades circunvizinhas não fiquem sem o seu periódico que aos poucos irá ficando "a cara da região".
Obrigado meus Deus.

Eldo Sá

O TOMBO DO GUERREIRO

Sabidamente, Sexta-Feira já tem tradição de ser um dia muito especial. Nas noites desse dia costumam desenrolar-se acontecimentos das mais variadas formas. É na Sexta-Feira que os amigos se encontram após o expediente para um tradicional bate-papo, regado a cerveja, pinga e outros, quase sempre acompanhado de um tira-gosto. Também é na Sexta-Feira que rolam envolvimentos amorosos, quer dos jovens nas praças, quer de alguns casais em encontros mais escondidos. Segunda a lenda, também é nas sextas-feiras que os espíritos do mal saem por aí contra as pessoas inocentes ou não. E Sexta-feira também é uma noite mística. E foi também numa Sexta-feira que o nosso editor teve a infelicidade de Ter pela frente duas pedestres descuidadas, uma das quais apavorou-se e correu rumo a moto que o mesmo pilotava. Num gesto extremo para salvar a vida da garota, foi necessária uma manobra muito brusca com uma conseqüente queda da moto. Graças a Deus foram salvas, mas nosso editor teve fraturas múltiplas no plator do joelho, omoplata e clavícula.

Eldo Sá

PORTAL DE F.M.

1. Um ginásio coberto é reivindicação antiga dos desportitas mombacenses. NO entanto, a construção do mesmo no terreno localizado nos fundos do hospital Antonina Aderaldo Castelo, não será vista com bons olhos, vez que o barulho gerado nesse local quando nas realizações de eventos, será muito prejudicial aos pacientes do hospital.
2. A itensidade das últimas chuvas vem mostrando que o nosso pedido de calcámento nas ruas que dão acesso ao Colégio Agrícola é bem justificado. Aqueles trechos viraram um lamaçal só.
3. Por falar em chuvas, o que terá acontecido com a barragem de Boa Vista recém-construída? Alardearam uma grande qualidade técnica da mesma e no entanto a primeira vez que encheu foi logo de arrombamento. Tem algum mistério nisso?
4. Mombaça deverá ser beneficiada no futuro governo, caso seja eleito para governador o atual senador Lúcio Alcântara, que tem ligações políticas nesta terra, com certeza teremos então algumas indústrias gerando empregos.

Hilton Costa

SAGA DOS SERTÕES DE MOMBAÇA


Serranias de Sudoeste
caminhando para Nordeste,
braços perdidos da Ibiapaba,
do Luna ao Calogí,
Serra de Santa Rita,
Chapadas do Quixelô,
Tabuleiros de Quixeramobim
a dos Inhamuns,
bordos dos seios encurvados
das entranhas férteis da terra núa,
beijada pelos vales úmidos
dos Sertões de Mombaça!

E o Banabuiú, descendo das nascentes,
bebendo na trama dos riachos,
rasgando com os afluentes torrenciais
o peito cristalino antigo!

O deflúvio das águas,
depositando no leito das ravinas
os solos descarnados,
erodidos!..

Gargantas e boqueirões,
vincos de serros partidos
que o sertanejo barra
para reter o saldo líquido
na terra sêca,
formando açudes!

Outrora,
estes músculos emagrecidos
eram potentes...

Foram densamente cobertos
do manto verde,
viçosos os seios
da virgem terra
para o germinar das sementes
e dos pastos sortidos.

Cresciam mais fortes os rebanhos.
O ventre de nossa irmã e mãe Terra
atraiu ao conúbio
os sertões de dentro
e os sertões de fora,
desde Paraíba e Pernambuco
aos barrancos do Rio São Francisco.

Vinham chegando
e iam ocupando...

Mediam a terra
com as patas dos seus cavalos,
abriam caminhos
com os rastros dos seus armentos.

Ocuparam a ribeira do rio
que o índio nú chamou
Brejo das Borboletas,
outros chamaram de Rinaré,
e tornou-se Rio da Palha
de Santos Vilhena.

Vinham chegando
e logo povoando...

O áspero Capitão João de Barros Braga,
a legendária Maria Pereira da Silva
e o português Serafim Dias
ganharam esta sesmaria em 1706,
com apenas tinta e papel,
terra que deveriam garantir
com suor e sangue
e outros deveriam cultivar
com suor e lágrimas...

Quando o rico português morreu
acompanhou o seu corpo até o rio
uma gata de estimação.

O rio estava cheio
o morto carregado nos ombros
de índios e de escravos.
E a gata ficou-se num rochedo,
a mirar as águas rolantes,
solitária, a chorar,
até que uma piaba,
saltando do rio,
apanhada no dente,
faz-se o seu primeiro repasto.

O tempo passou,
a gata emagreceu,
piaba não veio,
pesca não se viu,
até que a gata morreu,
triste, na cegueira de esperar...

os que alí lutaram,
os que lidam ainda
por intento e teimosias,
dizem que têm a cegueira
da gata de Serafim Dias.


*** Meia légua de terras,
trinta vacas e um touro,
cem braços e cem palmos
à margem do Banabuiú
foram o doado patrimônio
com que Dom Tomaz da Encarnação,
bispo de Pernambuco,
concedeu que se erigisse
a capela de Nossa Senhora da Glória,
nossa padroeira,
nossa benfeitora,
nossa advogada.

Antônio Lemos de Almeida,
Eugênia Gonçalves de Carvalho,
Teresa de Souza
vocês sabiam
que doando um chão e fazenda,
estavam plantando civilização?

E veio Pedro Barbalho
e o outro Pedro da Cunha Lima,
Antônio Ferreira Marques,
Rodrigo Francisco Vieira
e o Jerônimo da Costa Leite.

O tronco ancestral cresceu mais
com Cosme Rabelo Vieira,
os de Rafael Pereira Soares do Coquidê,
os de José Goes e Melo,
os de Fontes Braga, do Aracati,
e, finalmente, entrosando-se na cadeia,
do velho Clã, Anacleto Martins Chaves
dos Inhamuns.

Amaram-se com as bençãos da Igreja,
ou à sombra das Ingazeiras,
os do sertão de dentro
e os do sertão de fora,
caldeando sangue de guerreiro índio
com sangue de guerreiro branco,
mui raramente pingados do sal
da costa de Kênia e de Melinde,
pois, se de lá veio o nome da Ribeira,
algum resíduo ficou do périplo africano.

Gente da casa Forte de Caiçara,
vocês guardaram o nome de Rodrigo,
casado com Quitéria,
da família dos Montes?

O Comandante Augusto Francisco Vieira
cresceu aqui na mesma arte do seu parente
Cosme, dono da Jacoca e do Quixeramobim.
Juntou em suas mãos quase todas as fazendas
que depois se partiram em mil pedaços
e hoje só restam o Maxixe
e o São Jerônimo
para lhes contar a estória!..

Fazenda Barra Nova,
teus caminhos, campos e alpendres
nos contam a bravura e astúcia
do Capitão Honorato da Silva Limoeiro,
prendendo, sozinho, temerosos assassinos
Ele sozinho valia um batalhão.

Vinham chegando
e tomando conta de tudo.

Padre para batizar e casar
encomendar e dizer missa,
juiz e escrivão pra fazer justiça.

Padre Sarmento Benevides,
nomeado Vigário da Freguezia
de Nossa Senhora da Glória,
trazendo família letrada
e política da Paraíba,
recomendou a enxertia
do seu Clã no outro Clã.
Fazendo eleições dentro da Igreja
o presbítero de Nosso Senhor,
Cavalheiro da Ordem de Cristo,
elegeu-se deputado em oito legislaturas
da Assembléia Provincial,
mas, o fazendeiro Antônio Gonçalves de Carvalho,
dos Lemos de Almeida,
com muita devoção,
fazia promessa,
indo ouvir missa,
levando nos ombros,
da sua Fazenda Jardim,
uma grande cruz de aroeira...

Em casa,, os escravos sofriam...
Exercendo política,
um filho do pagador de promessa
xingava o Vigário,
comandando a oposição.

- Quem tem mais poder aqui
que o Juiz de Direito?
Pergunta o Dr. Inocêncio Camargo
numa festança a seus filhos diplomados
e chegados de Olinda.

- Tem, seu doutô.
- Quem é? Insiste o Juiz.
- Cacête, disse o João Pedrosa
no meio da multidão.

Comarca de Maria Pereira
voltando a têrmo, com Juiz de Paz:

- Coronel Olímpio Vieira,
vossimicê, que é juiz,
me diga quando uma promissória prescreve?

- a promissória prescreve,
no dia em que o velhaco assina!..

Tempos idos de aldeia solitária,
murada de rincões patriarcais,
com os seus coronéis
valentes e leais,
sinceros, hierárquicos!

Mombaça do coronel Chico Brasil,
sobreçando os velhos troncos da herança!
Do cabra Zé Mariano, saltando
a janela da casa, de rifre na mão
para defender o amo, a rolar pelo chão,
atirando e a gritar bem perto da escolta:
- Segura na bala, soldado,
que agora eu vou é no punhal!..

Mombaça de Pedro Martins de Melo,
altivo, mas sem arrogância,
falando forte, solitário,
e à frente de seus parentes unidos,
ditando a um Tenente da Polícia
que a família repelia a afronta.
Dobrasse a esquina e deixasse a cidade.

Terra de todos nós
e do Coronel José Aderaldo de Aquino,
tratando rudeza com elegância,
chefiando cordialmente a política,
e metido em seu croisé,
marcando quadrilhas em francês...
Com apenas algumas tintas
a mais do ABC, mais parecia
um nobre dos salões da Europa
perdido nas asperezas dos sertões.

Na subversão de Juazeiro,
a sua casa e a do mano Ernesto,
dizem que foram as únicas
que não levantaram
a bandeira vermelha adesista
da revolução.

Vilarejo romântico
de Antônio Pedro de Sá Benevides!

Vocês não o conheceram,
mas eu vi o tabelião,
vibrando flautas e violões,
tocando missas e ladainhas,
hinos na Escola,
modinhas de calçadas
e modinhas de Igreja,
e fazendo representar
com músicas de sua lavra
o drama de Flor de Abril.

Sêcas de 1877,
de 1915 e 1919!
A fome, a sêde, a peste,
a debandada dos sertões.

A Transamazônica começou aqui.
José Frutuoso Voltou rico dos seringais.
Poucos escaparam,
muitos foram perdidos
na trama do Inferno Verde...

Mestre Senhor,
meu tio Lulu,
minha tia Malim,
onde estão os restos de vocês? ***

Disse um Padre profeta:
só o céu descanca o Ceará,
não dando chuvas,
negando água.
Os vales do Vicente,
de santa Bárbara
e do João Alves,
serão tão férties
quanto o Carirí
se construírem açudes.

Queremos também o rio
pinçado nos seus flancos
e mais a estrada de ferro com as de rodagem,
economia solitária nos sertões.

O ramal de Piquet Carneiro a Crateús não veio
mas veio a Estrada do Algodão.
E a energia de Paulo Afonso está aqui.

Depressa, amigos,
a terra está ainda viva,
os campos estão bolindo
e as fontes ainda não secaram.

Alí o Canzuim,
o Canaan e o Guaraní.

Eu quero ouvir os bois
gateando na Barra Nova.

Depressa,
por uma comunidade solitária,
com o homanismo fazendo sinal
em nossas frontes:
Política, Amizade, Trabalho!

O rio Banabuiú
desce ainda carregando limo
nas águas barrentas para o mar.

No alto do rochedo solitário,
com os músculos emagrecidos,
vai morrendo e resistindo
a gata de Serafim Dias
na velha teimosia de esperar.
Basta.
Não posso mais.
Eu quero ver a minha terra
com olhos de menino.
Tragam a vaca Chita Fina
e o meu carneiro Jasmim.

Hei de ver florido
o meu Risco do Prado.

Quero dar o meu peito ao Banabuiú,
descendo nas águas barrentas,
cobertas de troncos e de espumas...

Quero ir com ele,
rolando para o Mar,
o grande mar da saudade,
dos serros azulados,
bordando a terra verde
dos campos sem fim!...

Fortaleza, dezembro de 1975.

F. Alves de Andrade