A Constituição Federal de 1988 aumentou as responsabilidades
dos municípios brasileiros, mas em momento algum reforçou suas
receitas para atendê-las de forma justa, equânime e adequada.
Com esse novo papel, os municípios vivem, hoje, uma situação
econômica bastante difícil. Dependem de um lado do Fundo de Participação
dos Municípios, gerido pelo Governo Federal, sendo a maior fonte de
renda do município. Por outro lado, o Governo do Estado distribui a
cota-parte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS). Por isso é importante que as despesas da Prefeitura Municipal
sejam feitas todas no município para gerar renda, emprego e retorno
dos valores pagos pelos habitantes na quota do ICMS.
Na década de 90 os municípios recebiam cerca de 20% do total
da arrecadação do país. Hoje a situação
mudou muito. A União fica com 61%, o Estado com 24,5% e os municípios
apenas com 14,5% da arrecadação nacional. Logo, a crise financeira
que atinge a municipalidade vem se agravando a cada dia que passa. Se não
for feito nada, no futuro, a situação tende a piorar com criação
de novos municípios para dividir o mesmo bolo.
Para chegar ao ponto de equilíbrio, a Frente Nacional de Prefeitos,
vem pressionando o Governo Federal com uma proposta conhecida como “Agenda
das Cidades” para discutir a revisão no pacto federativo brasileiro,
visando evitar a crescente diminuição das receitas públicas
municipais, com o retorno ao patamar de 20% que os municípios já recebiam
antes.
Enquanto isso, os Prefeitos precisam enfrentar o maior de todos os desafios,
qual seja, a de adequar as parcas receitas a um programa de ações
prioritárias e essenciais ao bem estar da população. Tem
que cuidar da limpeza da cidade, mobilidade urbana, agricultura, iluminação
pública, trânsito, habitação, praças bem
cuidadas, etc., obrigando-se ainda a ter que atender aos rígidos limites
impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Com isso, tem que contar com
secretários capazes, dinâmicos, inventivos e, sobretudo transparentes,
para que as verbas recebidas sejam bem aplicadas.
As ações a serem desenvolvidas devem deixar de fora as obras
faraônicas, as fontes luminosas que só funcionam no dia da inauguração
e o obreirismo inconseqüente que não contempla as demandas da comunidade.
A infra-estrutura de estradas, saneamento básico, educação,
saúde e valorização da juventude devem ser prioritários.
É preciso que os governantes municipais se conscientizem de que são
agentes importantes no projeto de desenvolvimento econômico e social do
país, de que devem lutar por uma reforma tributária modernizante,
voltada para as reais demandas da produção, qualificação
dos serviços e anseios da comunidade. Alem disso, precisam inaugurar tempos
de responsabilidade, ética e transparência. Dizer não à corrupção
e aos supostos amigos que se aproximam para tirar proveito para si e familiares.
Rui Alencar Andrade