A PRAÇA AUGUSTO LOPES
Recebemos uma correspondência da agencia local do BEC e lá estava
o endereço do banco: Praça Augusto Lopes, s/nº. Não
me dei ao esforço de procurar o banco localizado na tal praça.
Primeiro, porque sei muito bem onde fica essa agência e segundo
porque sei que tal praça simplesmente não existe. Mas qualquer
pessoa que tenha nascido na cidade dos anos 70 para cá, ou mesmo
uma pessoa de outras cidades, que busque esse endereço, com certeza
não vai encontra-lo. Na verdade, a agencia local do BEC está localizada
mesmo é na Rua Antonio Pedro Benevides e o número ainda
dever ser definido. Aliás já não é sem tempo
que esse endereço deve ser corrigido.
Mas, aproveitando a deixa, pudemos explicar um pouco a origem dessa confusão.
No local onde foi construído o prédio da agência do BEC,
no Governo Plácido Castelo, existia realmente um grande terreno de aproximadamente
100m x 80m, que havia recebido o nome de Praça Augusto Lopes, se bem
que não havia qualquer beneficiamento para que aquilo fosse caracterizado
como praça, pois nem mesmo calçamento havia. E era na terra bruta,
com um declive acentuado e cortado por muitas grotas, que depressinha delimitávamos
o nosso campinho de futebol, cujas balizas não eram mais que duas pedras – em
cada linha de fundo imaginária. Os jogadores eram, principalmente, os
filhos dos moradores da Praça Augusto Lopes. Logo pelo lado de quem
vinha da Praça da Matriz, a primeira casa era do Seu Meireles, então
farmacêutico; em seguida vinham as casas de Antonio Soares, Terto Soares,
José Mendes, Luizinho Manoel – este logo mudou-se para Fortaleza
-, Ioiô Teixeira, Maria Militão e já na saída, as
casas de Militão Albuquerque e seu pai Manoel Irênio. Decendo
pelo lado leste da praça, as casas de Floriano Pompeu, Abílio
Justino, a loja de Elias Rodrigues, que ficava anexa à casa do mesmo,
uma casa quase sempre desocupada, da família do Jesus Gabriel e por último,
a casa do Doca Sabino – já na esquina. No lado norte era o fundo
da então Coletoria Estadual, a garagem do Chico Martins e o prédio
do Clube Recreativo. E no lado oeste, os prédios comerciais de Seu Meireles,
Chico Martins – alugado ao seu Assis Barbeiro, loja do Pedro Moura, loja
do Honório Sabino, bodega do Zé Hugo e Maria do Sinfrônio
e na esquina a loja do Chico Sabino.
Os meninos eram Teté do Seu Meireles, Tarcisio e Flávio e ainda
pequeno Toinho, do Terto, Robério (Alemão) do Luizinho, Chico
do Ioiô, Kleber e Maninho do Militão, Itamar e Beto do Floriano,
Danuzio do Abílio, Eldo e Eribaldo do Elias e Antonio do Doca e da praça
vizinha Cici e Darci, do Lauo. O restante do time era formado com quem aparecesse.
Já na quadra vizinha, onde hoje está situada a agência
do Banco do Brasil, havia também uma praça, conhecida como Praça
da Caixa D’Água, nome esse justificado porque ali havia sido perfurado
um poço profundo e para acumular a água do mesmo foi construída
uma grande caixa d’água – pela memória, de capacidade
aproximada de vinte mil litros -, e um prédio para a moto-bomba e também
um banheiro público. A finalidade desse sistema era o abastecimento
d’água do centro da cidade, onde foi estendida uma rede de canos.
Só que a água desse poço tinha um alto teor de sal, o
que impossibilitou a viabilidade desse empreendimento. No lado leste da praça,
ficavam as casas de Lauro Benevides e Mitonho Evangelista. No lado norte ficava
a entrada do Grupo Escolar Padre João Antonio e a casa do Pedro Nabor.
No lado oeste as saídas dos muros das casas de Edgar Fiúza, Raimundo
Lima, Chico Martins e Didi Sabino e a parte de frente da Farmácia do
Seu Meireles. No lado sul, a entrada da Coletoria Estadual, a Delegacia de
Polícia com seu famoso X-1 (xadrez emergencial, construído para
prender Manoel Piauí), a frente do Clube Recreativo e a Barbearia do
Zé Pompeu.
Esta praça era usada pela meninada para brincadeiras tais, como jogo
de bila (gude), bicheira, agulhão (ou ferrinho, onde um pedaço
de ferro, de ponta fina, era atirado ao chão, devendo fixar-se verticalmente,
permitindo a formação de linha contínua entre uma “flexada” e
outra), pião, soltar raia (papagaio), entre outras. A sombra deixada
pela caixa d’água facilitava a vida da meninada, daí a
preferência nessa praça, para as brincadeiras.
Ho0je em dia, como se pode observar, nossa cidade é carente de praça
por puro descaso e insensatez dos nossos governantes do passado. Tanto local
onde poderiam ter sido construídas essas agências bancárias
e foram escolher logo duas das nossas “praças”, as quais
hoje poderiam receber benefícios e “foro” de Praça.
Não queremos discutir os benefícios que esses bancos trouxeram
para a evolução de nossa cidade, só afirmamos que poderiam
ter sido localizados noutro espaço.
E.E.S.C.
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