| João de Deus
Não foi surpresa para ninguém a morte de João Paulo
II, pois seu estado de saúde vinha de há muito tempo cada
vez mais fragilizado. Aconteceu até mesmo da forma que ele muito
pediu a Deus, serenamente.
Toda imprensa mundial noticia com o destaque merecido este grande acontecimento
deste início de século. E nós de Folha de Mombaça
não poderíamos também deixar de registrar esse fato tão
marcante para a humanidade. Tentamos escrever um texto que expressasse realmente
o sentimento de nós cristãos frente aos desígnios de Deus
ora manifestados. Várias foram as tentativas de colocar no papel o que
sentíamos dentro de nós, mas ao final de cada texto chegávamos
a conclusão que não era isso que queríamos dizer. Tudo
que se pudesse dizer da bondade deste grande homem era pouco. Chegamos a um
dilema, pois o jornal havia que ser publicado e não queríamos
simplesmente encaixar uma notícia fisgada em algum jornal, revista ou
mesmo pela internet. A solução foi jogar os textos produzidos
dentro de uma caixa, mexer bem e de lá sortear um. A seguir está o
texto escolhido que, pode não refletir o pensamento de muitos, mas é o
que pensa e expressa este humilde escriba.
Era o ano de 1978 e o mundo via acabar muito rápido o Papado de João
Paulo I. E poucos dias após via pelas imagens de televisão subir
a tão rara “fumaça branca” que dava o recado: “abbiamo
Papa”. Surpresa maior ainda era não ser o Papa um italiano, pois
todos os Papas posteriores a Pedro eram italianos. Estarrecidos ficamos todos
ao longo dos tempos ao constatarmos que o polonês Karol Voitilla, que
adotara o nome de JOÃO PAULO II mudava significativamente o estilo de
governar a Igreja Católica, impondo um ritmo de trabalho no qual havia
a necessidade de descentralizar o comando, permanecendo o VATICANO como base,
mas tendo o globo terrestre como teto. E foi num desses deslocamentos, que
João Paulo II veio ao Brasil, em outubro de 1980, escolhendo o nosso
Ceará como um dos destinos de sua comitiva. Pessoalmente, não
estivemos na capital cearense nessa época, mas acompanhamos com redobrada
atenção o noticiário e a partir daí nunca deixamos
de admirar João de Deus, carismático, resignado, cônscio
de sua missão de ajudar os povos na busca de um mundo mais próximo
de Deus. E mais ainda o admirávamos por ter seu aniversário e
idades tão próximos da de nosso pai Elias. João: 18/6/20
e Elias 19/6/19.
Sua missão terrena não foi totalmente cumprida, mas tal como
Jesus Cristo, deixou marcada sua presença entre nós, cabendo
a todos seguirmos os exemplos de ambos, que se complementam. Louve-se a um
homem que tendo sobre si os olhares televisivos durante as 24 horas do dia,
nunca teve sua imagem imaculada, quer com palavras, gestos ou atitudes, nunca
se furtando ao cumprimento das obrigações que o Papado se lhe
impunha.
Esta edição de abril de Folha de Mombaça sai sem noticiar
a definição do substituto de João Paulo II, mas uma certeza
temos, que qualquer que seja ele entre os 116 (do total de 117), por melhor
que queira cumprir seus deveres, não substituirá o João
de Deus, pois homens assim só nascem de milênio em milênio.
Que Deus o tenha ao seu lado!
E.E.S.C.
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