NOSSA PALAVRA
Editorial

Para surpresa, dos profetas de plantão, dos aprendizes de meteorologistas e até mesmo da credulidade do nosso povo, as chuvas voltaram a cair no nosso sertão, numa intensidade jamais vista ou relatada pela história, chegando a atingir em alguns pontos da cidade uma precipitação pluviométrica de 212 mm. Algumas ruas da cidade ficaram alagadas, quer pelo despreparo das galerias fluviais, quer pela própria carga de água lançada num tempo relativamente curto. O terminal rodoviário e residências da área foram os mais atingidos, causando prejuízos às famílias e aos comerciantes ali estabelecidos.
Na zona rural foram inúmeros os reservatórios que tiveram sua lâmina d’água elevada substancialmente, chegando alguns a sangrar logo na primeira chuva e outros ao longo dos 6 dias em que as chuvas se intensificaram, atingindo-se nesse período perto de 400mm, ou seja, aproximadamente a metade das precipitações ocorridas num ano de chuvas regulares.
Entretanto, até o dia em que fechávamos esta edição (8/4), já se contam 10 dias sem chuvas, o que volta a causar maiores preocupações nos rurícolas, pois esses acreditaram nas possibilidades de continuidade da invernada e fizeram as plantações de milho e feijão, usando assim suas últimas reservas alimentares como sementes. Essa falta de chuvas já provoca em algumas localidades um princípio de murchamento das plantações, carecendo pois que os órgãos públicos estejam alertas para a possibilidade de se ter a chamada “seca verde”, quando então o homem do campo terá que ser ajudado na sua luta para se manter no campo, e vivo.
Outra coisa que muito chamou a atenção de todos foram os incidentes provocados pelo grande volume d’água em algumas áreas da cidade, como por exemplo, nas ruas Cel. José Aderaldo e na antiga “Lagoinha”, em virtude de um esgoto que teve sua calha reduzida por uma construção irregular. Outro foi o aumento das águas do “Açude do Chiquinho” que inundou parte de uma vila no bairro Tejubana, ameaçando alagar 19 casas caso as chuvas tivessem prosseguido. A Prefeitura Municipal, em comum acordo com o proprietário do açude, abriu emergencialmente um novo sangradouro, impedindo que o pior viesse a acontecer, pois alguns moradores da área pretendiam, criminosamente, arrombar esse açude, o que causaria dessa forma enormes prejuízos para o proprietário e outros beneficiários. Note-se que esse açude foi construído há 28 anos, numa área rural e com o crescimento desordenado a cidade atingiu essa área. O atual morador da vila talvez não soubesse da possibilidade dessas águas atingirem seu imóvel, mas o proprietário do terreno, Sr. Tião Sabino, sabia disso e mesmo assim vendeu lotes que poderiam ser inundados, sem que qualquer medida saneadora fosse tomada. Aliás, até a saída dessa vila o Sr. Tião queria deixar era nas propriedades alheias.
É por esses motivos que de há muito tempo vimos insistindo num Plano Diretor para nosso município, onde ruas sejam planejadas, com rumo e espaço suficiente para atingir os objetivos dos tempos modernos. E não ruas onde um carro estaciona e outro não passa simultaneamente.